Nunca vivemos uma época em que a sexualidade fosse algo tão conflitante para a humanidade. Muitos homens e mulheres, inúmeros casais e famílias, enfrentam a cada dia, seriíssimos problemas relacionados à sua própria sexualidade e a relação que estabelecem com essa. Apesar de tratar-se de um tema de difícil debate e grande polêmica, torna-se inegável que em um mundo tão concomitante, livre e mutável como o nosso, libertário somente há meio século, que nossa sexualidade precisa ser debatida, pensada repensada, de forma a fazer sanar de nosso inconsciente coletivo todos os dois milênios de profunda repressão e castração sexual vividos.
Ao remetermo-nos a Antiguidade clássica e as antigas civilizações pagãs encontramos um cenário de grande liberdade sexual em que o sexo era visto, ao mesmo tempo, de forma sagrada e prazerosa. O profano também fazia parte do sagrado, inexistindo grandes conflitos com relação ao sexo, muito ao contrário, a sexualidade, nas culturas pagãs era vista de forma natural e divina.
Já ao ingressarmos em plena Idade Média, com o advindo do poderio dominante da Instituição Política "igreja Católica Apostólica Romana" e seu domínio sobre as mentes de seus fiéis, o sexo perde a característica de divino, sagrado e prazeroso e profano passa a ser também e principalmente o pecaminoso "Pecado Original".
A partir de meados do século XXI, com a libertação (intelectual) das amarras sexuais, gerada pelo movimento feminista e reforçada com o surgimento dos métodos anti-conceptivos, o homem do novo milênio passa a defrontar-se com uma grande dicotomia social: Intelectualmente já consideramos o sexo como sendo livre e natural, todavia em nosso inconsciente, ainda nos encontramos abarrotados de uma castração de dois milênios de existência! E por mais que não queiramos admitir, ela ainda nos sabota e confunde.
Hoje em dia encontramos de tudo. É possível se lidar com a sexualidade de várias maneiras. Entretanto, diante de tantos conflitos hoje existentes, e de tantas salas de psicólogos cheias de terapias de casais, de amantes confessos ou ainda de "patologias sexuais" inacreditáveis, penso que seja justo e aproveitável questionarmo-nos. " O que realmente vem de mim? " "Que parte do que eu penso possui relação com minha real natureza e em que partes estou sendo influenciado?" Só assim, somente desta forma, poderemos iniciar nossa libertação lenta, porém gradual, de amarras sexuais milenares, e quem sabe, teremos uma sociedade mais feliz, mais bem resolvida, mais saudável e sem tantas patologias sexuais. Sexualidade faz parte da vida e precisa estar bem resolvida. É uma questão de saúde física e mental. Já dizia o filósofo: "Uma vida não questionada não merece ser vivida." Questionemo-nos!
Clarice Ferreira

Nenhum comentário